sábado, 20 de junho de 2020

MEUS DEPOIMENTOS PARA A HISTORIA - PARTE LV

Hidrovia do Marajó, do sonho, projeto à realidade.

Em entrevista prestados ao jornal Gestão e Negócios, Indústria, Comércio e Serviços, publicada na edição de 24 a 31 de junho de 2001, nasce nova história.

Em depoimento para o referido jornal, informamos as seguintes realidades:

"Foi ainda, há muito tempo, que tínhamos a realidade de transporte de Chaves à Belém com duração em média de até cinco dias em barcos à vela, dependendo da situação climática da região com tempestades violentas ou calmarias frequentes durante o inverno amazônico.

Vivendo essa realidade é que sonhamos com a possibilidade da construção de uma hidrovia pelo centro da ilha do Marajó, ligando Belém ao Estado do Amapá, com uma economia de aproximadamente 150 quilômetros que reflete uma redução de custos de cerca de 30% por esta rota."

Corria o ano de 1968, durante meu primeiro mandato de vereador no município de Chaves, mandato gratuito, é sempre bom ressaltar que, política não é profissão, é missão de solidariedade, com foco na ética cristã em favor dos mais necessitados.

Em meados de 1968, em uma embarcação chamada Casemiro Beltrão, viajei na condição de passageiro de Chaves a Belém. A embarcação encalhou em um banco de areia no Cabo do Maguari, Marajó, chamado "Rabo da onça". A denominação fazia sentido. Era cemitério de muitas embarcações ao longo da história da navegação no estuário norte do Amazonas.

Para evitar que a embarcação fosse arrastada para o oceano pelas fortes correntes do estuário norte do Amazonas, assumi o comando de uma operação de salvamento, com apoio da tripulação, passamos a lançar ao mar a carga de bois destinada ao matadouro do Maguari, em Belém.

Com essa atitude, salvamos muitas vidas humanas, que entre tripulação e passageiros, contavam se mais de vinte, inclusive crianças de colo, cujas mães abraçadas aos filhos, choravam implorando a Deus por socorro, e o socorro chegou. As vidas foram salvas diante de uma tragédia iminente. O cenário era dantesco, ondas gigantes derramavam-se sobre o convés da embarcação, enquanto isso, um tripulante com uma bomba manual retirava água do porão. A bomba elétrica não funcionava, o motor da embarcação havia parado de funcionar. Era um cenário de tragédia e desespero jamais imaginado.

Com essa atitude radical, salvamos vidas e a embarcação bastante danificada, sem condição de prosseguir viagem. Ao amanhecer do dia seguinte, foi possível constatar os danos causados a embarcação pela violência das ondas e da correnteza do Rio Amazonas.

Continua.

Embarcação semelhante ao Casemiro Beltrão.

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