Belém, a capital do Estado do Pará e a metrópole da Amazônia, ainda respira os ares trazidos pelo festejado aniversário de fundação. A ninguém é dado desconhecer a importância da cidade aniversariante para o desenvolvimento cultural, social, técnico e científico da região Norte, no custo desses 406 anos de fundação.
O evento foi festejado por todos os segmentos sociais, que tem na bela Cidade das mangueiras no seu recanto de existência sob o manto verde de sua arborização e a brisa cativante da Baía do Guajará. Paralelo a essas manifestações públicas e populares sobre o aniversário de Belém, resta uma questão da mais significativa importância, que é sua memória cultural artística e arquitetônica, que representa um dos maiores patrimônios das cidades brasileiras pela relação que tem com a história colonial da Amazônia, onde a partir da semente plantada do Forte do Presépio, toda uma cadeia de acontecimentos fizeram de Belém um ponto de referência para a Europa, destacadamente, Portugal, Inglaterra, França e tantos outros.
Patrimônio é, na concepção dos gregos: "Patris" - o que vem de pai e "Monio" - o que quer dizer herança. Desta forma, patrimônio quer dizer "herança do pai" de forma geral patrimônio sugere a representação de todo o legado deixado pelas gerações passadas, que chegou às gerações presentes.
O professor de história da arquitetura e urbanismo no Brasil e técnicas respectivas da PUC-Paraná e conselheiro suplente do CEARQ/CREA Paraná, Cláudio Forte Maiolino, explica que há dois tipos de patrimônio: o natural e o cultural. Patrimônio natural é o meio ambiente em que vivemos, no estado de equilíbrio com que a natureza dotou a Terra. Patrimônio cultural é construído pela evolução do conhecimento humano. Ambos são de importância vital para a sobrevivência da humanidade.
"A destruição do meio ambiente compromete funções básicas de todos os seres humanos, tais como o direito de respirar, beber e comer, elementos que a ciência e a tecnologia estão longe de suprir. O comprometimento do patrimônio cultural elimina importantes traços da paisagem do homem pelo tempo, testemunhos da inteligência experiência, força e perseverança daqueles que nos antecederam".
Estes argumentos de forma contundente nos levam a acreditar na necessidade da construção de um movimento da sociedade paraense, na busca de instrumentos para a defesa do patrimônio cultural, artístico e do meio ambiente da cidade de Belém. Pensamos que o apelo ora lançado deva merecer a acolhida da sociedade que tem um compromisso espiritual e ético de defender esse rico patrimônio que nos foi legado por nossos ancestrais.
A construção de mecanismos nesse sentido será uma decorrência do sentimento de amor à terra e de respeito a lembrança e a memória de nossa ancestralidade, que tem suas raízes plantadas na Inglaterra, notadamente, Portugal, Espanha, e de algum modo na França.
O abandono desses valores culturais tem nos levado à perda de grandes conquistas, que tem um aspecto histórico e também de grande alcance social, e podemos citar como um vibrante exemplo, a extinção da Empresa de Navegação da Amazônia - ENASA, que com o seu desaparecimento, soterrou um serviço ligava de forma segura e ecologicamente correta importantes cidades ribeirinhas da Amazônia à Belém do Pará.
É impossível recuperar a ENASA, mas não podemos desprezar a possibilidade que ainda temos, de mãos dadas, salvar o patrimônio cultural e artístico da cidade de Belém, devendo, para tanto, unir-se todos os profissionais e o povo, destacadamente, engenheiros, arquitetos, agrônomos, advogados, professores, jornalistas, escritores e de todos os homens e mulheres livres e de bons costumes que amam Belém, assim como as Universidades para salvar essa relíquia que nos foi legada pelos ancestrais.
Imagem do Forte do Presépio, em Belém.Imagem do mercado do Ver-o-Peso.Imagem da Praça da República.Imagem do Theatro da Paz.
Imagem da Estátua da Liberdade, símbolo republicano.
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