terça-feira, 29 de setembro de 2020

MEUS DEPOIMENTOS PARA AHISTÓRIA - PARTE LXXX

Continuando nossa caminhada pelos trilhos da história dos acontecimentos marcantes ocorridos no estuário norte do Rio Amazonas, onde encontra-se o complexo de ilhas, com destaque para as ilhas de Caviana, Viçosa, Mexiana e costa norte da ilha de Marajó, região onde o maior rio do mundo, através dos milhares de anos tem demonstrado sua força de transformação, construindo ou demolindo áreas de terras arrastadas pelas fortes correntes que são lançadas no oceano Atlântico há quilômetros de distância.


Feitas essas considerações, entendemos a razão pela qual os colonizadores da Amazônia investiram tanto em estrutura bélica e inteligência para a dominação geográfica da região cobiçada por outros povos.


Nesse contexto, encontramos o depoimento do escritor e pesquisador José Valente, que conta com numerosas publicações em um dos jornais de grande circulação no Estado do Pará, cujo texto transcrevemos:

"1729 - Os índios Aruã mantinham relação amistosa com os franceses de Caiena e com eles negociavam (comerciavam). Este fato fez com que o governador João Maia da Gama, do Estado do Maranhão e Grão Pará, escrevesse ao rei Dom João, pedindo autorização para empreender uma ação bélica contra a nação Aruã, para obrigá-los a pôr-se sob a soberania portuguesa."


O rei Dom João concedeu a permissão, mas determinou "que os religiosos de Santo Antônio e da Conceição da Beira e Minho fossem trabalhar o espírito dos Aruans, no que concernia a amizade a povos que não portugueses."


Os freis João de Santo Antônio e João de São Francisco, este ultimo da irmandade da Conceição da Beira e Minho, ao chegarem nos campos dos Aruã, tiveram sucesso com os remanescentes, pois a maioria havia migrado para Caiena "com medo da feroz repressão dos portugueses."




O frei João de Santo Antônio pôs-se ao trabalho afim de fazê-los regressar ao Marajó, com auxílio do índio Adamúuna, conseguiu realizar o seu intento e 325 aruãs conseguiram regressar á terra de origem, isso foi que declarou o ex-governador João da Gama, em Lisboa, dia 30 de dezembro de 1730, num processo contra os Jesuítas. Com mais esse documento, é possível entender a crueldade praticada pelos "civilizados" contra os humanos ancestrais da terra que defendiam como herança patrimonial e espiritual.




O tempo pode esconder a verdade, porém a história escrita jamais será apagada. História que pode estar escrita na pedra, na arte de um povo, como as urnas marajoaras, a arte greco-romana, a arte egípcia, esta ainda estudada pela moderna civilização.


A história é imortal, os historiadores passam deixando o testemunho de sua existência.


Continua.

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